Barragem de Picote

Distrito – Bragança
Concelho – Miranda do Douro
Local – Barrocal do Douro
Bacia Hidrográfica – Douro
(mais dados – INAG)

Barragem de Picote

Picote é conhecida por muitas razões: uma delas é a Barragem de Picote, construída entre 1954 e 1958, num impressionante estrangulamento do rio Douro, no seu troço internacional.

A barragem é um dos elementos que integra um conjunto mais vasto e complexo e designado genericamente por aproveitamento hidroeléctrico. Este elemento destina-se essencialmente a condicionar o curso normal das águas do rio e a proporcionar uma albufeira (reservatório de água) e a criar uma altura de queda que permita o seu turbinamento, de modo a poder produzir energia eléctrica.

A barragem de Picote, no Douro Internacional, e uma aldeia construída a partir dela há 50 anos, vão integrar a lista do património nacional classificado. Os pressupostos que levaram à decisão de classificação da barragem de Picote prendem-se com o facto de ser considerada «um paradigma da arquitectura moderna», assim como de a partir dela ter sido construída uma «cidade ideal» no Nordeste Transmontano. [F]

Como peças fundamentais do conjunto existem também o circuito hidráulico, a central eléctrica propriamente dita, a subestação elevadora, além de várias outras infraestruturas complementares.

O projecto de um aproveitamento hidroeléctrico é um trabalho de equipa, de grande fôlego, em que assume particular relevo a acção de algumas dezenas de engenheiros de várias especialidades, nomeadamente: civis, electrotécnicos, mecânicos, geológicos, agronómicos, minas e ambiente. A acção dos arquitectos limita-se, no essencial, a aspectos de integração paisagista das construções envolvidas e, em particular da barragem.

Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos (arquitectura) juntamente com o Eng.º Paulo Marques então Presidente do Conselho de Administração da Empresa Hidroeléctrica do Douro, e dos Engenheiros Pedro Nunes, Fausto Gonçalves Henriques, Walter Rosa, Agostinho Álvares Ribeiro, Ferreira Lemos, Cristiano VanZeller, Daniel Pinto da Silva, Afonso Sousa Soares, Moutinho Cardoso, Eugénio Pimentel, Raul Preza, Quintanilha de Menezes, J. Vasques e Vasques, Mariares de Vasconcelos, Catela Rola, José Manuel Oliveira Nunes e muitos outros, formaram a equipa de responsáveis pelo projecto e construção do aproveitamento de Picote.

Assim, projectaram há cinquenta anos o que os entendidos da arquitectura moderna classificam hoje como «uma cidade ideal», fundada a partir do nada com todas as infra-estruturas e serviços, inacessíveis à maioria da população daquela época.

Esta foi a primeira barragem a ser construída no rio Douro e é hoje em dia alvo de vários estudos que classificam as suas “catedrais” (espaços interiores) como “arrepiantes e monumentais naves subterrâneas erguidas como verdadeiros monumentos á modernidade”.

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